Estimativa é de que quase 1,5 milhão de brasileiros vivem nos EUA;
Desses, 250 mil moram na região que abrange Flórida, Porto Rico e Ilhas
Virgens, área por onde o furacão Irma deve passar
Furacão IrmaFoto: Agência Brasil
Os Estados Unidos são o país com a maior comunidade brasileira no
exterior: segundo o documento Brasileiros no Mundo, do Ministério das
Relações Exteriores, a estimativa é de que quase 1,5 milhão de
brasileiros vivam no país. Desses, 250 mil moram na região que abrange
Flórida, Porto Rico e Ilhas Virgens, área por onde o furacão Irma deve
passar com forte intensidade no final de semana. Para enfrentar o
fenômeno – no momento classificado como de categoria 5, a mais alta de
todas, mas que pode ser rebaixado a 4 quando chegar aos Estados Unidos –
os brasileiros já estão se preparando.
Bruno Contipelli é
empresário do ramo de comércio na internet em Miami e mora nos Estados
Unidos há 19 anos. Ele diz que está com medo, mas se sente relativamente
seguro, porque mora em um apartamento construído há pouco tempo, já
enquadrado nos padrões de segurança atuais. “Agora, quem mora em casa,
tem que tomar cuidado”, diz.
Na tarde desta quarta, Bruno estava
ajudando um amigo a instalar protetores nas janelas de casa. Ele conta
que já enfrentou um furacão de categoria 3 e que está apreensivo porque o
Irma é de categoria 5: “categoria 5 ninguém está preparado para
enfrentar”. “É assustador”, diz. Para ele, é importante estar preparado,
pois a população pode ficar sem energia elétrica, sem internet, sem
água. “Depois que a tempestade passa, demora uns cinco dias para chegar
ajuda do governo, para quem não está preparado, esses cinco dias são um
sofrimento”.
Caribe
O Irma atingiu as ilhas do Caribe na
quarta (6) pela manhã, em Antígua e Barbuda. Depois, passou por São
Martin e Ilhas Virgens, e seguiu seu trajeto em direção a Porto Rico,
República Dominicana e Haiti. O trajeto exato do centro do furacão é
incerto, mas a expectativa é que sua passagem pelo Caribe tenha impactos
também em Cuba, embora com menos intensidade.
Segundo o Centro
Nacional de Furacões do governo dos Estados Unidos, o Irma está entre os
cinco mais poderosos furacões do Atlântico dos últimos 80 anos, e é o
mais forte do oceano a sair do mar do Caribe e do Golfo do México e
atingir a costa. O fenômeno já atinge 295 quilômetros por hora durante
os picos.
Experiência em furacões
O Irma pode ser pior do que o
furacão Andrew, que devastou a Flórida em 1992. Ele é o segundo furacão
de grande intensidade a atingir o sul dos Estados Unidos nesta
temporada, depois do Harvey, que provocou destruição no Texas e deixou
mais de 60 mortos e prejuízos de US$ 180 bilhões.
O agente de
seguros de saúde Paulo Sérgio de Souza mora em Orlando, na Flórida, há
17 anos e conhece bem parte da história dos furacões na Flórida. Em
2004, o Charley passou por cima da casa onde morava. “É assustador.
Primeiro vem um vento muito forte, que é a primeira parede, depois a
calmaria, e depois o vento forte de novo, a segunda parede”, disse. Mas
ele diz que a passagem do Charley o fez estar mais preparado para o
Irma. “Eu estou calmo, eu já passei por três, quatro furacões, então não
tenho assim grandes preocupações, já enchi o carro com gasolina se
precisar fazer uma evacuação de última hora”, diz.
Souza diz que o
governo orientou os moradores para se preparem, fazendo kits com um
galão de água por pessoa por dia para três dias, comida enlatada e fogão
a gás, além do gás para fazer o fogão funcionar, mas, segundo ele,
esses itens já estão em falta nos supermercados. Ele não está
preocupado, pois se preparou com antecedência, justamente por já ter
passado pela situação antes. “Quem está mais nervoso com a situação são
os brasileiros mais novos que chegaram há seis meses, um ano”, diz.
Evacuações na Flórida
O
governo de Florida Keys ordenou a evacuação de visitantes do
arquipélago ao sul da ilha a partir da manhã desta quarta-feira (6). As
escolas públicas foram fechadas. Residentes de áreas mais perto do nível
do mar, como do condado onde fica Miami, foram aconselhados a se mudar
para regiões mais altas. O governador do estado, Rick Scott, disse que
pode emitir novas ordens de evacuação até o final de semana, e pediu
para que os moradores não desobedeçam as já emitidas: “Lembrem-se de que
nós podemos reconstruir a sua casa, mas nós não podemos reconstruir a
sua vida”.
Anderson Vargas trabalha em uma empresa de elevadores,
está na Florida há 17 anos e sua esposa deu à luz há duas semanas. Ele
mora em Parkland, que está fora da área de evacuação obrigatória, e diz
que, quando ficou sabendo do furacão, no final do ano passado, já
começou a preparar a casa. “A gente já passou por furacão em 2005 e
aprendeu que cinco, seis dias antes, as coisas começam a faltar, então
compramos gasolina, gerador de energia, proteção nas janelas e avisamos
os amigos”.
Apesar de toda a preparação, ele e a esposa
continuavam preocupados com a filha, pois, durante um furacão, ruas
ficam bloqueadas, e o acesso a serviços básicos, como hospitais, pode
ser difícil. Por isso, resolveram fechar a casa e dirigir mais de oito
horas até Atlanta, no estado da Geórgia, e ficar longe do furacão. “Não
existem modelos que dão previsão [de onde o furacão vai passar], se a
gente demorar muito para sair, você pode ficar parado nas rodovias”,
disse, mas defendeu a preparação que fez durante os oito meses antes do
Irma chegar, e afirmou que a decisão de partir é por um motivo maior.
“Só estou indo por causa da bebê”.
FONTE : AGÊNCIA BRASIL