sábado, 20 de fevereiro de 2016

CIDADE : Município de Goiana é um dos recordistas de casos de arboviroses no Estado, já registrou 1,87 mil casos de dengue



"Goiana, município da Zona da Mata Norte de Pernambuco, sufoca para controlar o surto de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti. Terceira cidade com mais casos de arboviroses para cada cem mil habitantes em Pernambuco, registrou 1,87 mil casos de dengue nas últimas oito semanas - mais de 40% que o total notificado no ano passado. 

Além disso, os 30 bebês que nasceram com microcefalia no local entre outubro de 2015 e janeiro de 2016 são um recorde na Zona da Mata. A cidade é ainda um dos 20 municípios pernambucanos onde a zika foi confirmada. E nesta semana foi registrada a primeira morte de um bebê com microcefalia, caso ainda em investigação pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). O volume de pacientes chegou a causar um déficit no estoque de medicamentos dos postos de saúde locais. 

A autônoma Luzinete Conrado, 35, por exemplo, foi diagnosticada há três semanas com chikungunya e teve que comprar a medicação necessária para aliviar as dores que ainda sente no pescoço. “Recebi uma injeção no Posto de Saúde da rua do Rosário, no Distrito de Tejucupapo, mas os remédios para a dor estavam faltando”, contou. Para se ter uma ideia, a rua do Céu, localizada no mesmo distrito, está ficando conhecida por quase todos os moradores que já tiveram alguma arbovirose. 

A falta de saneamento básico é citada pelos moradores como a principal razão para a proliferação do mosquito. “Estamos abandonados. Raramente um agente de endemia ou saúde nos visita. Quando eles vêm, vão em todas as casas, não utilizam o larvicida”, conta a moradora Teresa Freitas, 49. A Secretaria de Saúde municipal afirmou que a falta foi acarretada pela demanda não esperada e que o estoque deve ser normalizado até amanhã. 

As ações da cidade para combater o mosquito transmissor são realizadas por 149 agentes comunitários de saúde e 72 agentes de combate a endemias, além do apoio do Exército, presente pela terceira vez no município. A dificuldade em controlar o aumento nas notificações de arboviroses está, segundo a prefeitura, na grande extensão territorial de Goiana e no registro de casos de doenças contraídas em outras regiões. 

Essa vinda causa, inclusive, transtornos também para o poder estadual, como a frequente superlotação do Hospital Regional Belarmino Correia. Maria Andréa da Silva, 29, veio de Condado, também na Mata Norte, para ser atendida por não conseguir atendimento na sua cidade natal. Queixando-se de dores no corpo e inchaço nos pés, precisou esperar o atendimento deitada em um dos bancos. Assim como os outros pacientes, reclamava da demora da triagem, realizada por duas enfermeiras.


A quantidade de médicos, por sua vez, é aprovada pelos usuários da unidade. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Ses), o sobrecarregamento do hospital, estruturado para atender casos graves, acontece porque as suspeitas de arboviroses não estão sendo atendidas emunidades de saúde mais simples, como deveriam. No Belarmino Correia, 500 fichas são distribuídas diariamente - 200 a mais que o ano passado - e 70% dos casos são de arboviroses. 

O Estado estuda a melhor maneira de utilizar R$ 15 milhões que dispõe para reestruturar o sistema em função do aumento da demanda. Reforço de escala demédicos - já completa - e a compra de insumos são as principais ações, que não têm prazo definido para serem iniciadas. Ontem, a SES deu início ao repasse de R$5 milhões para 184 municípios pernambucanos enfrentarem o mosquito. 

O município de Goiana registrou a primeira morte de um bebê com microcefalia na região. O caso foi divulgado pela SES, no último boletim publicado, nesta semana. A SES investiga a morte da criança e ainda não confirmou se o motivo do óbito foi devido à malformação. A identificação da criança e da mãe não foi divulgada. De acordo com a prefeitura de Goiana, o bebê era do sexo feminino e tinha um mês e seis dias de nascido."


FONTE : JC ONLINE

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